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28 de fev. de 2014

Mr. Mill's - Cheese Dog Chilli

Algo que me fascina é como o cachorro quente muda de cultura pra cultura. Os alemães usam suas salsichas espetaculares em pãezinhos redondos, e frequentemente colocam chucrute junto. Aqui no Brasil o sanduíche virou carnaval, e vale colocar milho, ervilha, bacon, ovo de codorna e até passas (mas se os paulistas colocam purê de batata, opa - aí já é exagero). Mas encher um dog com whatevs não é exclusividade nossa. Os americanos cometeram exagero similar ao colocar chili e queijo no dog deles.

Chili (ou chili con carne), pra quem não sabe, é um cozido mexicano, feito com carne (dã), feijão, tomate, cominho, e muita pimenta. E pimenta das boas, que os sortudos dos mexicanos têm de sobra. Se um dia você tiver o desprazer de ir ao sul americano, recomendo fortemente que você salve a sua viagem comendo uma tigela de chili.

Mas voltando ao cachorro quente com chili: há tempos que um grande amigo meu me diz que eu deveria comer o Cheese Dog Chilli do Mr. Mill's, uma lanchon... ~hamburgueria~ que fica ali no Paraíso. E nesta última quarta-feira eu tive a chance de experimentá-lo. E me surpreender. MUITO. Vejam só:


Cheese Dog Chilli - R$14,90

Primeiro de tudo: esse foi o segundo dog que veio à minha mesa. O primeiro não tinha o... ahm... chili. Mas ok, pedi pra trocar e trocaram. E veio essa coisa interessantíssima que vocês podem ver na foto. Aquilo ali em cima parece chili, pra vocês? Nem pra mim. Daí eu vou lá e como (de garfo e faca, que o restaurante teve a audácia de trazer junto do lanche). E sinto gosto de molho de tomate industrializado (provavelmente da marca SóSódio®), sinto também muitos pedaços de cebola, um gosto muito forte de pimenta (das bem ruins), e até umas azeitonas. E a carne? Sei lá.

A carne e o feijão devem estar lá longe, junto da tal "qualidade". Eu poderia reclamar do tamanho minúsculo do sanduíche. Poderia rir na cara do restaurante por ter cortado duas salsichas - que até que são boas - ao meio e chamar isso de cachorro quente. Poderia criticar a falta de conhecimento da língua inglesa por colocar o nome "Cheese Dog Chilli", que, além da gramática no nome não fazer o menor sentido, erra feio na ortografia da palavra chili. É com um L só que se escreve isso que você não serve, meu caro Senhor Mill. Poderia também reclamar que o queijo não é cheddar. Mas, bem, não vou fazer nada disso. Vou apenas lamentar que eles sirvam essa piada em cima de um cachorro quente e chamem de chili. Digo, chamam de chiLLi. E cobram quase 15 conto por essa piada.

Chili tem que ter carne, meu Deus do céu! Tem que ter feijão! Tem que ter tomates frescos! Vocês TÊM carne e tomate, afinal trabalham com hambúrgueres (os quais eu não quero nem passar perto de experimentar, depois dessa). E feijão não é exatamente difícil de se encontrar aqui no Brasil, né? Sabe. Não pode ser tão impossível assim, conhecer o nome que vai pro cardápio superfaturado de vocês.

Puta merda, que coisa ruim.

Mr.Mill's
Rua Abílio Soares, 165. Paraíso, São Paulo - SP.
(11) 3052-1333

Desta vez, no lugar dos -417 ketchups que o MrMill's merece, coloco o nosso amigo HOT DOGE:


Such bad hot dog. Much Horrible. Wow... I mean, EW.


17 de fev. de 2014

Receita: Spaghetti alla Carbonara


 Enquanto eu estava escrevendo o último post eu inevitavelmente pensei na maravilha que é a carbonara, e como eu a conheço desde quando eu era criança e a minha mãe trouxe a receita um dia pra casa. Foi paixão à primeira garfada - o que não é difícil quando, no seu garfo, você tem macarrão+ovo+bacon+queijo. E então me veio a vontade de, depois de anos, fazer a receita e compartilhar a receita aqui no blog. Vam?

Ingredientes (sentido horário): 100g de pancetta (ou bacon, se você não encontrar pancetta), 350g de spaghetti grano duro, 2 dentes de alho inteiros, 50g de manteiga sem sal, 3 ovos, 100g de queijo pecorino, 2 colheres de queijo parmesão, pimenta do reino (o quanto baste).  
 
 Rale os queijos, bata os ovos com (pouco) sal e pimenta, esmague os dentes de alho com uma faca deitada e pique a pancetta. Cozinhe o spaghetti por 10 minutos, enquanto a pancetta frita junto ao alho. Derreta a manteiga em uma frigideira bem grande, e junte a pancetta e o alho (foto). Deixe cozinhando por 5 minutos em fogo médio. A este ponto, o alho já transmitiu sabor à manteiga, e você pode removê-lo.


 Usando um pegador, tire o spaghetti da água e imediatamente adicione à frigideira onde estão a pancetta e a manteiga (foto), sem se preocupar se um pouco de água pingar. NÃO dispense a água do macarrão, você vai precisar de parte da água depois, para deixar o resultado final mais cremoso.
Misture bem o spaghetti à manteiga e a pancetta, e então junte os ovos e 3/4 dos queijos (foto). Levante o spaghetti para que os ovos e o queijo se misturem bem, e então adicione meia concha da água que cozinhou a massa. Assim que estiver tudo misturado, adicione pimenta do reino a gosto, e está pronto para servir (com um pouco mais de queijo por cima, afinal queijo nunca é pouco).
Se na hora que a massa for servida ela estiver mais seca, adicione uma colher da água quente ao prato e misture bem. Este prato é maravilhosamente bem acompanhado de uma taça de Merlot.

Esta é uma adaptação de uma receita publicada na Good Food Magazine. Eis o link para a original.

10 de fev. de 2014

Mangiare - Pizza Carbonara

Ah, carbonara. Quem quer que tenha tido a ideia de juntar spaghetti + bacon + ovos + queijo + pimenta do reino merece um beijo. É de longe uma das melhores coisas que pode-se fazer com macarrão. E o que acontece com combinações assim tão boas? Elas migram para outros pratos.

O restaurante Mangiare, na Vila Leopoldina, é um lugar excelente por vários motivos. O ambiente é agradabilíssimo, o serviço é ótimo, eles te colocam quanto tiramisù você quiser no seu prato, eles mesmos produzem o pepperoni das pizzas, e adivinha? Eles fazem pizza de carbonara. Pois é, uns descarados.

 Pizza carbonara: ovo feito na lenha, pancetta, queijo fondente, pimenta do reino e raspas de limão  (pedi sem raspas de limão, porque oi, eu não sou obrigado)
R$45,00


Sobre as pizzas deles, em geral: mano, que coisa boa. Massa excelente (fina, macia E crocante), molho simples e de qualidade, que eu inclusive não reclamaria se tivesse vindo em maior quantidade*
Sobre essa pizza, especificamente: WOW. Eu já esperava uma bela duma pizza, mas olha... me surpreendeu. O queijo, pra começar, é maravilhoso. A pancetta é diferente do bacon-qualquer-coisa que as hamburguerias torram e enfiam no seu lanche. E, claro: O ovo. O senhor Queijo, o todo-poderoso, que me desculpe, mas o ovo é o protagonista aqui. Nunca subestime o poder que um ovo frito tem sobre os pratos. O sabor da gema meio cozida entra numa harmonia tão grande com a pancetta, o queijo e a pimenta, que eu não sei por que ninguém tinha pensado nisso antes. Uma pena que vêm só 3 ovos por pizza, e não uns 15.

Vão la. Peçam essa pizza. Experimentem com as raspas de limão, se quiserem. Vai que... né? Mas vão. Não se arrependerão.

Mangiare
Avenida Imperatriz Leopoldina, 681
Vila Leopoldina, São Paulo
(11) 3034-5074

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*Tenho notado menos molho nas pizzas. A dona da Gioconda & Helenica me falou que os brasileiros estão querendo cada vez menos molho em suas pizzas, e que inclusive pedidos de pizza sem molho são cada vez mais frequentes. O que vocês acham disso? Me tuítem sobre isso, me facebookem sobre isso, ou apenas comentem aqui em baixo.

6 de fev. de 2014

Bar: Beer Bamboo


Tá mais do que na hora de voltar a avaliar lugares e não só pratos, né?
Sexta passada eu e uns amigos queríamos ir a um bar (sim, eu sei: só nós, ninguém mais). A Vila Mariana seria mais conveniente para uns deles, e eu joguei a região na pesquisa do Zomato. Com a facilidade do app pra se ter informações de cardápio e preços, escolhemos o Beer Bamboo. Fomos lá, loucos atrás de cerveja de garrafa e coxinha, e nos deparamos com uma agradável surpresa: se alguém na mesa faz check in no Foursquare, a mesa toda ganha desconto de 5%!

Primeiro: que cardápio legal. Preços ou honestos ou não mais caros que em outros lugares (alô, Veloso!), e opções bem das boas para se comer (fritas com parmesão, oi?). Mas queríamos coxinha, pedimos coxinha.

Coxinhas Beer Bamboo - R18,90

10 unidades. Tamanho bom para petisco. Sequinhas, crocantes, bem recheadas, recheio bem temperado, só poderia ser mais suculento. Mas olha, tá tão difícil uma coxinha boa por aí, e essa tá ó: uma delícia. Vai muito bem com uma garrafa da ótima cerveja Paulistânia (que está custando inacreditáveis R$7,90!).

Mojito Original - R$ 15,90

Daí mais tarde nós precisávamos celebrar o tal beijo que rolou na novela (não diga que somos ridículos, pois há relatos sobre pessoas comemorando o beijo como se fosse gol. Gol. Futebol. Argh.), e pedimos coquetéis. Eu tomei esse mojito, que estava ótimo mas bem que poderia estar mais gelado (pra esfriar a fumacinha saindo das minhas orelhas ao ouvir o garçon perguntando ao meu amigo, duas vezes, com que fruta e bebida ele queria a caipirinha dele).

No fim das contas, o Beer Bamboo é um bar pro qual eu voltaria fácil. Numa sexta à noite ele não estava lotado (chegamos às 20:30 e ainda havia mesas pro lado de fora!), o serviço é eficiente e simpático, o cardápio e ótimo, e os preços não são os piores da cidade. Além disso, fiquei sabendo que se você faz reserva para mais de 20 pessoas, eles te garantem o andar de cima inteiro! (obrigado, Karen!)

 Na próxima vez, vou mais abonado e exploro o cardápio de cervejas (e arrasto algum amigo que use o Foursquare, pra garantir o desconto).
  
Beer Bamboo
Rua Joaquim Távora, 895. Vila Mariana, São Paulo
(11) 3895-1565

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30 de jan. de 2014

Paulista Burger - Queijo Azul

Devo dizer que já faz tempo (quase 6 anos, a idade do blog) que eu penso em escrever sobre algum desses hambúrgueres da moda. Eu o fiz uma vez e a resenha foi mais negativa do que positiva. Depois disso, nas vezes que eu fui a ~hamburguerias~ (sério, alguém proíbe, por lei, lugares de nome terminado em ERIA, pelo amor de Nigella Lawson?) não me deu vontade de escrever sobre, porque não só eu não achava nada de mais, como também eram todos iguais: um grandiosíssimo MEH com queijo no meio de um pão de hambúrguer da Seven Boys.

E eu estou falando de vários lugares que são os favoritos de toda uma galera: Osnir, Burger Lab, aquela coisa sem graça chamada Lanchonete da Cidade, o abominável The Fifties, entre muitos. Então por que eu estou escrevendo agora sobre uma hamburgueria? Porque essa, rapaz, olha... vou te falar uma coisa, viu.


O Paulista Burger fica na Rua Augusta, logo que você desce a Paulista sentido centro. Eu já tinha ouvido falar muito bem de lá desde que tinham aberto, o que não significou lá muito pra mim (visto que me falaram bem até do cupcake que vendem no Comedians (!!!). MAS, um dia, sem esperar muito, um amigo e eu fomos parar lá. Assim que eu vi "queijo azul" no cardápio, me lembrei do quão certeira costuma ser a combinação "carne bovina + gorgonzola" e, e pedi o sanduíche imediatamente. Devo, com dor no coração, dizer que da primeira vez o nosso pedido foi perdido no caminho à cozinha. Mas quando veio, veio isso aí que está na foto:

Um sanduíche grande. Com uma carne grande. Com um creme de gorgonzola. Com uma maionese sem essas de precisar ser verde pra ser boa. Com sangue escorrendo, porque pelo menos UM lugar neste país respeita o seu gosto quando você pede a carne mal passada.

Sério: delicioso. Grande. Excelente. Eu normalmente reclamaria do preço, aliás ainda acho bem caro, mas essa cidade tá tão carente de hambúrguer decente que eu estou disposto a voltar lá e pagar o mesmo valor por outro destes. Váriash vezesh.

Queijo Azul
R$25,00
Paulista Burger (Rua Augusta, 1499. 11-4564-5503)
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PS-1: Eu também recomendo o lugar por ter, além de cerveja em garrafa de 600ml (adoro a exigência paulista/mineira por cerveja de garrafa), excelentes petiscos. Como a fabulosa mandioca cremosa, EM CUBOS! E, olha que louco: a casa não ostenta jukeboxes falsas e qualquer outra coisa que a deixe parecida com restaurantes americanos dos anos 50!
PS-2: Uma vez eu escrevi sobre a minha definição de o que é, ou o que deveria ser um hambúrguer. Qualquer dúvida, leiam.

10 de out. de 2013

McDonald's - Egg Breakfast

Eu postei, há 5 anos, que o McDonald's brasileiro estava começando um menu de café da manhã. Na época eles tinham uns sanduíches feitos de biscuit, mas pelo jeito não pegou, e então eles ficaram só com o misto quente e o pão na chapa. Daí hoje eu sou avisado, no meio do caminho pro trabalho, que meu primeiro aluno iria se atrasar, e parei pra comer um pão de queijo qualquer no McDonald's. Quando eu vejo o quê? Novas opções pro café da manhã!

São 3 novos sanduíches: com presunto, com bacon e com peito de peru (adoro quem acha que peito de peru é super leve e ignora o fato de ser a maior concentração de "qualquer resto de carne + puro sódio" do mundo).
Assim como os antigos, os novos têm ovo no recheio. Peguei o de presunto porque me lembra as manhãs de sábado da minha infância, quando meu pai fazia lanche com presunto, queijo e ovo s2

 
Olha, é bem recheado, viu? Eu já comi o tostado com presunto e queijo deles e achei MEH, mas esse tá melhor, bem substancial. O negativo... bom, tá na cara né? Ô Ronald, esse pão foi assado, tipo, em 1996?
De toda forma, o pão não estava ruim ou duro. Só murchinho, mas nada borrachudo.
É uma boa ideia pro café, viu? Se você, obviamente, não souber fritar um ovo e esquentar um pão no micro-ondas. 

Egg Breakfast
R$7,50
Nos McDonald's de todo o Brasil.

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3 de out. de 2013

Bonheur de Pains - Croissant

Ah, a gourmetização de tudo. Antes as padarias eram pra comprar pães e doces. Então, começaram a servir refeições. Não muito depois elas se tornaram megastores pra quem procura todo tipo de coisa gastronômica, sofisticada e extremamente cara, e.. ah, tem uns pães também, de qualidade medíocre (como é o exemplo da deplorável Bella Paulista). E então chegamos onde estamos hoje, na época das padarias onde você não encontra nada além de...? Pães! E Doces! Mas não é mais padaria, é Boulangerie.


E a Boulangerie mais perto da minha casa fica a uma distância confortavelmente caminhável, ali na Alameda Santos, do lado da Avenida Brigadeiro Luís Antonio. Chama-se Bonheur de Pains (algo como "Pão Felicidade" em francês - se eu estiver errado me corrijam), e lá dentro você encontra vários tipos de francesices da panificação e confeitaria: pain au chocolat, tarte tatin, e, óbvio: o croissant. Hoje eu comprei um sem recheio pro café da manhã.

"Sem recheio?! Alôca, né Clayton?"
É, amigo. Sem recheio. O croissant geralmente é sem recheio. Sabe porque a maioria dos que a gente encontra por aqui tem queijo, pesunto, frango com mingau de maizena e até sashimi dentro? Porque a massa do croissant brasileiro é RUIM. Não é croissant de verdade. Galera faz uma massa de pão fininha e seca, enrola e assa com recheio, pra ficar engolível depois de pronto. Ou seja? Por isso mesmo que eu quis avaliar o sem recheio do lugar, pra ver se eles podem ter toda essa pompa metida a rococó.


Infelizmente não estava quentinho, mas estava fresco e macio. Tem um sabor notável de manteiga, que inclusive estava no limite aceitável de gordura. Dispensa qualquer recheio, e me caiu muito bem pro café da manhã. Só o fundo que estava um pouco queimadinho.

Mas eu recomendo. O croissant. Pra você comprar lá e ir comer em outro lugar.
Por quê? Porque o gênio que projetou o espaço da boulangerie colocou o forno praticamente dentro do salão com as mesas, tendo nada além de um vidro separando um ambiente do outro. Eu já entrei lá três vezes, e nas três o espaço estava abafado (oi, funcionários, conheçam a Insalubridade, minha amiga que deveria estar no holerite de vocês). Daqui pra frente vai esquentar bastante. Imagino quantos clientes eles vão deixar de ter. De resto, vale a pena economizar alguns salários para experimentar uma coisa ou outra entre os pães (porque os doces eu já experimentei, e são BEM qualquer coisa).

Croissant
R$4,90
Bonheur de Pains
Alameda Santos, 551 - São Paulo - SP
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PS: Concordou comigo no que eu disse sobre a gourmetização de tudo? Dá uma olhada no tumblr Gourmetização da Vida! Tem até cupcake do Romero Britto, olha só.